RELATÓRIO DE ATIVIDADES DE
ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO
“Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.”
Augusto Cury,
Unidade: FACULDADE DE ARTES VISUAIS –FAV
Curso: Licenciatura em Artes Visuais - UAB
Disciplina: Estágio Supervisionado 3
Acadêmica: Susy Darley Carvalho Gonçalves
Nº Matrícula: 075154
Local: Academia Aquática
Endereço: Rua 30, s/n - Centro
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS:
• Percurso "estranhamento do familiar"
• Escolha da porta de entrada
• Etnografia da porta de entrada
• Elaboração da proposta de intervenção
• Discussão nos fóruns da proposta com orientações com formadores e tutores
• Realização da proposta (aplicação)
• Avaliação dos resultados (esta que você está fazendo).
INTRODUÇÃO
Lembrando das sábias palavras de Cora Coralina: “ O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”, percebemos que em qualquer país, estado, cidade, município; em qualquer sociedade seja ela religiosa, política, familiar, educacional, deverá haver relacionamentos positivos entre as partes envolvidas, para que haja uma comunidade direta e troca de experiências verdadeiramente satisfatórias.
Realizei este trabalho com uma proposta artístico-pedagógica que a princípio me assustou, mas que posteriormente me envolveu completamente. No início tentando estranhar o familiar, tive muitas dúvidas, muito medo, receio do que poderia encontrar pela frente. Estranhei em especial uma praça, também uma igreja e por fim a academia pelo qual escolhi como porta. Foi um caminho difícil, percebendo o lado ruim e o lado bom de tudo, analisando, anotando, estudando cada pedacinho de rua que passava. Observando o contexto sócio-cultural dos sujeitos, seus anseios, suas necessidades primordiais, ainda seus objetivos.
Enfim, chegando o dia da atuação, foi muito proveitoso em todos os sentidos, onde sujeitos assimilaram muito bem a proposta, reconhecendo conexões, percebendo que a arte não é algo para uma parcela da sociedade, mas para todos. É importante reconhecermos “diferenças que fazem a diferença”, percebendo que é essencial a abertura de um senso crítico e o desenvolvimento do ato de refletir para se concluir, e isto é possível através da arte.
PERCURSO
Interessante pensar diferente, olhar diferente, sentir diferente... Sempre percorremos um mesmo trajeto várias vezes ao dia sem atentarmos para as estranhezas que tem! Quando estou em minha sala (no edifício do fórum) onde trabalho todos os dias, da porta, tenho a imagem de uma praça, nada preservada, mais ao fundo uma rede que os motoristas de táxi usam para descansar enquanto esperam os passageiros irem à sua procura, e ainda ao final da imagem, já em terceiro plano o prédio da rodoviária. De longe percebo pessoas descendo dos ônibus, uns com muita bagagem, outros com nenhuma... penso aqueles que carregam muita vão para longe ou ficarão muitos dias, outros estão só de passagem, retornarão logo, ou moram na cidade...São pessoas brancas, pretas, amarelas... se vestem de formas diferentes...Os taxistas que encontram um lugar para descansar, e que lugar! Uma rede... penso, será que existe rede em outros países? Será que é algo exclusivo de nossa cultura, de onde originou? Da África... dos indígenas... Enfim, são coisas tão normais no nosso dia-à-dia, que nem lembramos de analisar tanto...
Ao estranhar o familiar, tive dificuldades, pois sempre estive preocupada com o que viria pela frente, qual a próxima etapa a concluir. Diante disto, com diversas percepções e conclusões: a estrutura física dos órgãos públicos que encontrei no meu trajeto estavam em péssimo estado, principalmente o edifício o fórum, que é um prédio muito velho e ainda não tem manutenção periódica, também outros que encontrei como Demec, já em estado físico bem melhor, também a Promotoria de Justiça. Observei que quase todos os funcionários possuem carros, uns muito velhos outros novos. Na praça que se encontra perto do fórum e rodoviária, percebi o quanto é pouco visitada. Não tem nada que chame a atenção do cidadão a frequentá-la, nem mesmo bancos para se acomodarem. Lá existe simplesmente um elevado para skate, um parquinho todo quebrado e ainda alguns quiosques fechados. Diante destas observações, percebi a necessidade de uma manutenção, programações e outras providências que pudessem melhorar o aspecto do local e ainda que proporcionasse um espaço agradável para relações sociais. Pensei muito em trabalhos a serem realizados na praça, até porque temos uma de um lado da rodoviária e outra do outro. Sem contar que aos domingos a garotada não tem nada para se fazer na cidade. Pensando assim, seria muito interessante, tornar as praças o point da galera! Só que não me vejo fazendo isto. Até porque o que está em minha mente depende de muitos recursos e ainda muita mão de obra! Mas não seria nada mal se esta rapaziada se reunissem nas tardes de domingo neste local. Penso que deveria se fazer um trabalho entre escolas em parceria com a prefeitura, utilizando-se de algo que os incentivassem a trabalhar, tal como uma gincana, onde competiriam escola contra escola, arrecadando materiais para implementação das praças, além de outras atividades artísticas e além de muito esporte, ou seja, competições que envolvessem tudo isto, atribuindo-se pontos para cada atividade realizada. Mas ao mesmo tempo notei que esta teria que ser uma providência a ser tomada pelo poder público, vez que requer muitos investimentos.
Outra coisa que acho bem interessante é que parece ser muito pequena a cidade para tantos veículos. Antes não haviam tantos carros, era um lugar tranquilo e bem pacato... Hoje, existem algumas ruas, mais perto do comércio que estão difíceis de trafegar, são muitos veículos; ainda observo o quanto as mulheres estão no volante, conhecendo um pouco algumas famílias, também é possível perceber que muitas possuem mais de um veículo, notando que o poder aquisitivo da comunidade vem melhorando progressivamente... logo pensei: então, se a situação econômica das pessoas no geral, vem melhorando, porque tanta delinquência, tantos problemas sociais... penso que deveriam ser pessoas mais instruídas, com melhores empregos, melhores salários, mais condições de bancar estudos... São vários questionamentos, uma coisa puxando a outra... Vejo também que o ponto de ônibus dos estudantes que saem para estudar em Anápolis é na Rodoviária, sendo que hoje saem em torno de seis veículos todos os dias, o que antes só tínhamos um. Daí percebe-se que há um maior interesse em procurar novos rumos. Toda esta história vem sofrendo mudanças bruscas em curto espaço de tempo, e ainda, sem que haja um considerável aumento da população.
Olhando em minha volta, percebi pessoas mais arrumadas, mais bem vestidas, também residências com desing mais moderno, fugindo muito daquelas antigas construções de 2 águas, provando mais uma vez que o dinheiro está aumentando na cidade. As vezes sinto medo do futuro! São muitas mudanças, e o pior é que muitas são negativas, as vezes sinto que as negativas superam as positivas...
Reflexões ocorreram: “pessoas estão vivendo um individualismo terrível, penso até que seja por isto que tantos crimes vem ocorrendo... os laços estreitos de amor e afinidade estão se perdendo, onde nesse cenário, na minha opinião, o maior vilão é a tecnologia, mesmo que tenha sido desenvolvida para o bem, muitos não vão para este lado, não tem controle, não buscam as necessidades para a utilização. Crianças cada dia mais escravos dos jogos eletrônicos, adolescentes totalmente envolvidos com páginas de relacionamento na internet, pelo qual tomam todo o tempo. Tempo este que deveria ser compartilhado com a família, amigos, parentes... tornam-se egoístas, individualistas, acaba-se os contatos de pele". E ainda: “Onde posso ver, sentir, apalpar a arte em minha cidade? Talvez nos letreiros dos comércios, nos designs das construções residenciais e comerciais, naqueles bancos e mesas que se encontram nos limites da BR-060 que corta a nossa cidade, em alguns objetos de enfeite (vasos, plantas artificiais, etc.) que são oferecidos em comércios, também à beira da BR, nas roupas, calçados e acessórios que as pessoas usam, e que por sinal mudaram muito de uns anos para cá; em alguns detalhes das Igrejas, que ao meu ver, não possuem um estilo muito definido.”
No meu primeiro percurso encontrei o Detran, o DeMEC, o Ministério Público, uma igreja Evangélica, o Fórum, uma escola Estadual, o Banco do Brasil, a Maçonaria, as praças, a Rodoviária, a Secretaria de Segurança Pública, o Cartório de Registro de Imóveis, uma vidraçaria, um posto de Gasolina, uma boate e uma banca de revistas.
Pelo visto são muitos órgãos públicos. A visão que tenho é que são bitolados, burocráticos, entediantes, assim como me sinto em meu trabalho (fórum). Lá não posso mudar nada, simplesmente sigo regras e leis. Bem como o Ministério Público onde meu esposo trabalha, o Detran, o cartório, todos tem regras "pré-determinadas" e pronto, nada pode mudar! Já em espaços educativos como o DeMEC a escola a praça que é um lugar público quem sabe!
Estive observando outras ruas por onde transito bastante, que por sinal é o caminho da Igreja e do salão de beleza que frequento e observei também algumas transformações físicas, tais como a construção de novas residências e ainda a reforma de outras, modificando o contexto visual. Frente a Igreja observei quantas pessoas entram e saem todos os domingos na Escola Bíblica Dominical e nos Cultos da noitinha. São pessoas ansiosas por bençãos, uns entristecidos, outros nem tanto... crianças que estão presentes porque são levadas pelos pais, sendo que muitas nem entendem porquê estar ali. Observo pessoas de classe baixa, outras não... pessoas instruídas outras nem um pouco...pessoas depressivas outras muito felizes! Enfim é um local onde pessoas diferentes se encontram num mesmo propósito, porém simplesmente sentam-se e escutam... Pensei: e se as coisas ocorressem de uma forma mais "colorida", diferente, atraente... crianças aprendessem brincando ou criando...talvez esta seria uma outra porta!
Porém senti muitas dificuldades de prosseguimento da proposta, lembrando que deveria enfrentar conselhos administrativos, esperar resultado de reuniões, razão pela qual resolvi entrar pela porta da Academia Aquática, que ao meu ver, teria um acesso mais facilitado, onde deveria pedir permissão apenas para a proprietária.
ESCOLHA DA PORTA
Ao encontrar a porta que me motivou, considerando a realidade de atuação, observei as pessoas que entravam e saiam, lembrando que sempre via mas não enxergava as peculiaridades físicas e humanas lá encontradas. Tentando compreender todo o fascínio daquele lugar pensei em promover nos sujeitos o interesse pelas artes que de certa forma já estavam vivenciando-a, usando meios que pudessem compreender a linguagem representacional e ainda fazendo conexões com seu próprio dia-a-dia, suas emoções, gostos, preferências, necessidades, individualidades... Ainda, percebendo as diversidades e a necessidade do respeito para com tudo e todos, porém, cada um com identidade própria. O motivo maior da escolha se deu por ter um acesso facilitado e ainda por envolver de certa forma outro seguimento das artes, pelo qual poderia ser um aspecto facilitador do meu trabalho, visando conexões, percepções, dinamismo, descobertas, reconhecimentos...
ETNOGRAFIA DA PORTA DE ENTRADA
Encontrei nesta porta (Academia Aquática) uma construção moderna, com muitos vidros, espelhos... utilização de recursos contemporâneos como por exemplo adesivos nas paredes e portas, também, cores fortes em sua decoração. Muita higiene em todos os compartimentos da mesma e também muita organização. Quanto aos frequentadores, percebi diversidades. Uns mais velhos, outros bem jovens... uns aparentemente tristes outros não... uns aparentemente com boa situação financeira, outros nem tanto! Enfim, apenas percepções...
Percebi que se tratava de pessoas alegres que praticavam alguma modalidade por prazer, outras por necessidade, outras por obrigação... enfim diversos os motivos. Notei ainda que sujeitos da 3ª idade sempre estavam em busca de uma melhor condição de vida, muitos com problemas de saúde crônico, outros por pura vaidade. Crianças, muitas delas obrigadas pelos pais à estarem ali, outras por gostar do que estavam fazendo. Jovens senhoras procurando cuidar do corpo e aprender algo que pudesse motivar sua condição conjugal, assim dedicando-se à dança do ventre. Meninas que vivem um constante conto de fadas que dedicam-se ao balet, chegando às vezes a se compararem com a boneca Barbie... meninos que encontravam no judô um refúgio para gastarem tanta energia! Diante de tantas conclusões, percebi o quanto podia explorar a visão artística naquele local, algo que ia além do que eu podia imaginar.
Difícil tarefa! A busca de algo que motivasse os sujeitos a vivenciar uma experiência nova e que realmente os levassem a buscar cada dia mais o envolvimento com as artes. No projeto busquei enfatizar um assunto que pudesse relacionar com o que já estavam vivendo para que este envolvimento ocorresse de forma mais natural. Razão esta que escolhi a pintura corporal, pelo qual imaginei que poderia relacionar-se muito bem com as apresentações de dança do ventre e balet.
Neste período fiz observações e considerações de forma mais restrita à porta com anotações sobre tudo o que vi e ainda os objetivos a serem alcançados com tal trabalho. Colhi sugestões, opiniões, ideias dos participantes ao mesmo tempo que fui refletindo sobre todo o contexto para finalmente tirar conclusões. Nesse sentido fiz juntamente com a proprietária e professora de balet uma reflexão e definição conjunta da organização e dos planejamentos de ações e das metas pré-estabelecidas que contribuem para o sucesso do processo.
Sabendo que o ensino das artes tem a possibilidade de criar condições para que todos o indivíduos desenvolvam suas capacidades e aprendam os conteúdos necessários para construir instrumentos de compreensão da realidade e de participação em relações sociais, políticas e culturais diversificadas e cada vez mais amplas, é também fundamental para o exercício da cidadania na construção de uma sociedade democrática e não excludente. Tudo isto para atender as necessidades dos sujeitos na atuação com estímulos e desafios para o desenvolvimento das habilidades que os levem a ampliar a capacidade do exercício da cidadania.
Leitura Metódica - Será que esta seria uma leitura metódica? Minha nova porta: academia. Nesta porta encontro pessoas ansiosas... umas em busca da estética, outras do prazer, outras da saúde... enfim são vários anseios, desejos, até angústias...
Pessoas que procuram um espaço que renove suas forças, que dinamize sua vida!
Casais que buscam o prazer da dança... crianças que se envolvem com a luta, porém com disciplina... idosos que procuram melhoras em seus problemas de saúde através da hidroginástica, meninas que amam o balet como se estivessem vivendo os filmes da Barbie! Procuram no espaço de 30m X 15m algo que lhe impulsione para uma vivência mais dinâmica! O espaço conta com uma área de piscina, também com um salão onde ocorrem as aulas de balet, dança do ventre, dança de salão, judô, jump, aeróbica, entre outras. Também existem os banheiros masculino e feminino e ainda a sala de estética, onde se faz massagens. Na recepção existem alguns utilitários, guloseimas, etc para a venda. Também há uma pequena área verde.
Leitura poética - Porta... grande ou pequena, não importa!
Porta que entra pequeninos lutando, senhoras buscando saúde para seus 50, 60 ou 70 anos, quem sabe... Porta que entra jovenzinhas adolescentes e pequeninas envolvendo-se com a musica, sonhando com as aventuras da princesa Barbie... Porta que entra pessoas em busca do bem estar e de melhor qualidade de vida... vida que não para... Eis a porta: Academia Aquática!
“Feliz daquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”
Cora Coralina
PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
Proposta Poético-Pedagógica - “Ver e enxergar”
É importante conhecer o meio que estamos vivendo, tudo o que está em torno do que escolhemos para objeto de estudo e atuação, para tanto, tivemos o momento cartográfico e etnográfico, agora precisamos atuar de alguma forma, lembrando das sábias palavras:
“[…] analisar, não os comportamentos, nem as ideias, não as sociedades, nem suas ideologias, mas as problematizações, através das quais o ser se dá como podendo e devendo ser pensado, e as práticas a partir das quais essas problematizações se formam.” (FOUCALT, 1984. p. 17, in LARROSA, apud SILVA, 1994)
Então, a partir dos conhecimentos e análises realizadas, é possível o planejamento da ação, sabendo que trata-se de um local onde busca-se saúde, momentos de relaxamento, talvez até realização pessoal, com frequentadores de todas as idades e dos dois sexos. Pessoas com ideologias distintas, classe social, religião, entre outros aspectos. Um espaço que ocorre de certa forma um aprendizado informal com as aulas de jazz, balé clássico, dança do ventre, judô, etc. Além disto é possível fazer também a relação de algumas modalidades com as artes, principalmente as que envolvem a música, portanto, é possível concluir que estes indivíduos podem ter mais afinidade com as artes.
Diante de tais considerações, apresento o plano de intervenção:
OBJETIVOS:
• Reconhecer a arte, levando em consideração seu poder transformador, percebendo suas conexões.
METODOLOGIA:
• Apresentar na recepção da academia, imagens referentes ao Body Art relacionando-a à diversas culturas através de slides.
• Nos intervalos das aulas, chamar alunos das diversas idades a conhecerem um pouco mais da arte, fazendo breves considerações à respeito.
• Deixar com cada interessado folders com conteúdos referentes ao Body Art/culturas e algumas imagens, convidando-os à participarem de uma oficina em frente ao estabelecimento.
• Realização da oficina com a participação de todos os interessados, utilizando tintas, pincéis, luvas, água, glitter e papel pardo.
• Conclusão dos trabalhos juntamente com todos os participantes, abordando a importância da arte, por que estudá-la e praticá-la, e ainda, o reconhecimento dos aspectos cognitivos da ação.
MATERIAIS:
• Notbook com slides de imagens do body art, folders em papel A4 xerocopiados e recortados, tintas antialérgicas próprias para pele em várias cores, pincéis, água, glitter e papel pardo.
CRONOGRAMA:
• Uma tarde para apresentar as imagens, chamando a atenção para as características do body art e sua relação com as diversas culturas, apresentando oralmente nos intervalos das aulas (10 minutos para cada explanação).
• Outro dia para a oficina que ocorrerá no final de uma tarde com duração de 1 hora e meia.
AVALIAÇÃO:
• No momento da conclusão, observar considerações dos participantes com relação ao assunto apresentado, bem como todas as suas conexões.
BIBLIOGRAFIA:
BARBOSA, A. M. 1975. Teoria e prática da educação artística. São Paulo, Cultrix. CANCLINI, N. 1980. A socialização da arte. São Paulo, Cultrix.
BARBOSA, Ana Mae T. Bastos. A imagem e o ensino da arte. São Paulo: Perspectiva, Porto Alegre, Fundação Iochpe, 1991.
_______. Tópicos e utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
FERRAZ, M. H. T. e SIQUEIRA, P. I. 1987. Arte-Educação: vivência, experimentação ou livro didático? São Paulo, Edições Loyola.
WWW.clubedaeducação.com.br/.../art-efemera.html
http://pro.casa.abril.com.br/
www.magli.com.br/
Professores autores Dra. Leda Maria de Barros Guimarães e Prof. Dr. Ronaldo Alexandre de Oliveira Estagio Supervisionado 3: Licenciatura em Artes Visuais: módulo 7/ Universidade Federal de Goiás. Faculdade Artes Visuais. Goiânia. Editora UFG.
Professor autor Msc. Paulo Veiga Jordão – Ateliê de Poéticas Visuais Contemporâneas: Unidade 3: Licenciatura em Artes Visuais: módulo 7/ Universidade Federal de Goiás. Faculdade de Artes Visuais. Goiânia. Editora UFG.
AVALIAÇÃO DA AÇÃO
Embora reconhecendo que a educação e formação de tipo formal constitui a coluna vertebral das sociedades ditas do conhecimento, torna-se cada vez mais urgente rentabilizar o reservatório invisível de conhecimentos, capacidades e competências de que essas mesmas sociedades são detentoras, aceitando e dando valor aos resultados das aprendizagens adquiridas de modo não formal e informal: no trabalho, na vida em sociedade. Uma abordagem de valorização dos resultados da aprendizagem, verdadeiramente abrangente, é indispensável ao construir de pontes entre os diferentes contextos e formas de aprender, facilitando o acesso a percursos individuais de aprendizagem.
Infelizmente muitos pensam que arte significa intuição ou emoção e ainda pensam que "arte-educadores não precisam pensar" e "arte é só fazer", não levando em consideração as diversas possibilidades de observação e compreensão da arte.
A arte não está separada da economia, política e dos padrões sociais que operam na sociedade, estando então, diretamente ligada à cultura. Idéias, emoções, linguagens podem alterar de tempos em tempos e de lugar para lugar, sendo assim, não existe visão isolada e que de alguma forma não sofra influências. Cremos que construímos a história a partir de cada obra de arte examinada, estabelecendo relações/conexões entre outras obras de arte e outras manifestações culturais.
Nesse foco, realizei na data de 23 de novembro do corrente, o início da intervenção artístico-pedagógica amparada pelo projeto postado no AVA, apresentando o tema e breves explanações sobre o assunto, utilizando slides de pinturas corporais em diversas culturas (africana, indígena, indiana, oriental, etc) ricos em detalhes e realmente retratando suas realidades, ainda fazendo conexão da história de dadas culturas com as artes, no caso a Body Art, baseada nas obras de diversos artistas.
Na primeira parte de minha intervenção utilizei meu notbook com slides e pequenas frases explicativas pelo qual, no intervalo das aulas, apresentava o Power Point, só que, esta parte da ação foi feita em frente a academia, o que não dificultou em nada meu sucesso. Muitas pessoas participavam, desde os alunos, tanto do balet, quanto de outras modalidades, e ainda os pais dos alunos e transeuntes que pela rua circulavam. Foi uma grande experiência! Não imaginava que chamaria tanta atenção, além do que tive algumas dificuldades quanto ao local de realização da ação, vez que todos os espaços da academia estava sendo usado nas atividades da própria, o único local que me restou foi a calçada de frente, pois, por exigência da proprietária eu não poderia atrapalhar as aulas.
Neste primeiro momento apresentei o conteúdo e distribui folders contendo um pouco do que já havia explicado, além de um pequeno agrado, principalmente para as crianças: um pirulito que permanecendo alguns segundos em uma só posição dentro da boca, tatuaria a língua. Todos se encantaram, e muitos se comprometeram em retornar no próximo encontro.
No segundo momento, dia vinte e cinco de novembro a partir das 16:00 horas, realizei a outra parte da intervenção onde, após uma breve introdução e, com a presença de 11 pessoas (no início) ainda com o auxílio de pincéis, luvas, tintas antialérgicas, glitter e água, passei a fazer algumas pinturas na pele (com tinta própria para pele); também pedi que alguns passassem tinta guache nas mãos para tatuarem algumas folhas de papel pardo que levei. Uma jovem de 11 anos de idade chamada Carol, fez uma árvore muito linda por sinal, outra chamada Bárbara Ferreira, de 10 anos fez um coqueiro, já diante destas demonstrações artísticas, percebi o quanto são acessíveis às artes. Estas duas garotas são alunas no balet há um ano e meio, onde fazem apresentações maravilhosas e cheias de encanto, assim como o trabalho apresentado na oficina. Uma outra pessoa, que simplesmente acompanhava uma das alunas, chamada Ana Cláudia Carvalho, também se identificou muito bem com a proposta, onde fez uma pintura na face de sua sobrinha, que apesar de nenhum pouco de experiência, ficou extraordinária! Enfim, diversas pessoas participaram, umas que eu já conhecia (Jéssica, Nathalia, Gabriela, Natana, Déborah, Ana Luiza, Luciana, etc), outras não, mas que durante a experiência passamos a ter um contato. Neste processo pedi uma das minhas funcionárias da equipe de animação de festas, pelo qual trabalho aos finais de semana, para me acompanhar e ajudar no que fosse necessário; Letícia foi uma ótima ajudadora/parceira, pois esteve pintando rostinhos das crianças que ali transitavam, ela já é acostumada a fazer pinturas na pele, unhas, cabelos e maquiagem no “Stúdio Fashion” da equipe “Pintando o 7”.
Durante todo o processo, fui comentado sobre tal movimento artístico, tentando mostrar o quanto a arte está presente em nosso dia-a-dia, seja no nosso vestuário, em nossas ações, em nosso momento gastronômico, enfim, respiramos arte. Diante do apresentado e das considerações que fiz, os participantes fizeram também seus comentários, pelo qual percebi que se identificaram muito com a proposta, além de reconhecerem o quanto podem produzir, além de perceberem que a arte faz parte de suas vidas.
A proposta foi tão bem aceita que, apenas uma hora e meia não foi o suficiente, pois, quando uns iam embora, outras pessoas chegavam e participavam. Comecei a ação 16:00 horas e só pude encerrar 18:35 pois já começava a anoitecer. Muito interessante o envolvimento de todos e ainda a dedicação quando produziam algo. Me encantei com o interesse de todos.
Um dos participantes, o Jonatas de 22 anos de idade, comentou que sempre pensou na arte como um período de descontração e descanso, hoje, chegou a conclusão que arte vai muito além, como podemos perceber em suas palavras: “apesar de ser algo prazeroso e relaxante é também instigante, questionador, intrigante... hum, sei que podemos ir muito mais além com ela.” Considerações que me deixaram muito feliz pois percebi que alcancei meu alvo.
Segundo Gadotti:
“Todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma estabilidade em função de promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo seus atores e autores.” (cit por Veiga, 2001, p. 18).
Neste sentido, posso concluir que ensinar arte não pode ocorrer de forma engessada e pré-determinada por referenciais curriculares metodológicos, mas deve-se trabalhar de forma que vá ao encontro às reais necessidades dos indivíduos, levando-os ao desenvolvimento concreto da criatividade, onde possam agir com flexibilidade, autonomia e responsabilidade, treinando o olhar para que “possam enxergar além do que se vê!”
“Por mais longa que seja a caminhada,
o mais importante é dar o primeiro passo.”
Vinicius de Moraes
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